"Há coisas que o Wikileaks não pode fazer. Para todas as outras, há a Operation Payback." Assim, com uma referência ao slogan da Mastercad, um grupo de hackers conhecido como Anonymous comemorou o feito de tirar do ar, na quarta-feira (8), o site da operadora de cartões de crédito, mastercard.com, usando um ataque DDoS [é como se um número muito grande de pessoas tentasse entrar no endereço ao mesmo tempo]. O ataque foi lançado como forma de retaliação às empresas e organizações que se posicionaram contra o vazamento de informações confidenciais das embaixadas dos Estados Unidos e do Departamento de Estado americano pelo site Wikileaks, iniciado no dia 28 de novembro com a participação de cinco veículos da imprensa tradicional, os jornais El País, da Espanha, Le Monde, da França, Guardian, do Reino Unido, e New York Times, dos EUA, e a revista Der Spiegel, da Alemanha.
Na terça-feira (7), Julian Assange, líder e rosto do Wikileaks, se entregara à polícia de Londres - não pelo vazamento parcial de 250 mil telegramas diplomáticas, mas por acusação de crimes sexuais na Suécia. Mesmo assim, houve quem interpretasse a prisão como parte de um esforço do governo dos EUA para reprimir a organização. Antes disso, o Wikileaks ficou fora do ar - vítima de ataques similares ao usado para derrubar o mastercad.com -, foi expulsa da hospedagem da Amazon [alegadamente por violar o termo de serviços], seus fundos de emergência foram congelados pelo banco suíço PostFinance, e o PayPal e a Visa, além da Mastercard, pararam de repassar doações para a organização. Os sites dessas empresas também foram alvo da Operation Payback do Anonymous, junto com o endereço de um promotor sueco.
Na terça-feira (7), Julian Assange, líder e rosto do Wikileaks, se entregara à polícia de Londres - não pelo vazamento parcial de 250 mil telegramas diplomáticas, mas por acusação de crimes sexuais na Suécia. Mesmo assim, houve quem interpretasse a prisão como parte de um esforço do governo dos EUA para reprimir a organização. Antes disso, o Wikileaks ficou fora do ar - vítima de ataques similares ao usado para derrubar o mastercad.com -, foi expulsa da hospedagem da Amazon [alegadamente por violar o termo de serviços], seus fundos de emergência foram congelados pelo banco suíço PostFinance, e o PayPal e a Visa, além da Mastercard, pararam de repassar doações para a organização. Os sites dessas empresas também foram alvo da Operation Payback do Anonymous, junto com o endereço de um promotor sueco.
Mas não foram só os hackers do Anonymous que reagiram à confusão criada em torno do Wikileaks. De um lado, americanos como o senador Joe Lieberman e Sarah Palin, candidata à vice-presidência pelo partido Republicano nas últimas eleições no país, afirmaram que o Wikileaks devia ser tratada como uma organização terrorista, que Assange deveria ser caçado, preso, processado por espionagem. De outro, defensores da organização - nem todos a favor de DDoS - criam mais de mil cópias do site Wikileaks para que seja impossível tirar a página totalmente da internet e compartilham um arquivo criptografado com todos os telegramas confidenciais entregue pelo Wikileaks a cetenas de milhares de apoiadores. A favor ou não do Wikileaks, simpático ou não a Julian Assange, o que ocorreu na última semana abriu uma discussão séria sobre privacidade, transparência, liberdade de expressão e o futuro da internet.
"Acredito que vamos olhar para esse episódio como um dos eventos políticos mais importante da última década, pelo menos", disse Glenn Greenwald, advogado americano e colunista da revista online Salon, em entrevista a ÉPOCA. Greenwald acredita que estamos vivendo o início de uma "guerra pelo controle da internet". "A reação do governo dos EUA e das empresas privadas para as divulgações do Wikileaks se assemelha de muitas maneiras a uma guerra", afirma. De acordo com Greenwald, o governo dos EUA está ameaçando processar o Wikileaks "por fazer o que jornais fazem todos os dias: publicar segredos sobre o governo". Greenwald afirma ainda que o governo "tem ameaçado e intimidado empresas privadas para não fazerem negócios com WikiLeaks". Das companhias que pararam de trabalhar com o Wikileaks, apenas o PayPal admitiu ter sido pressionado pelo Departamento de Estado americano.
Greenwald não é o único a enxergar uma guerra nas movimentações dos últimos dias. A guerra na internet aparece também na InfoWorld: "É a primeira guerra cibernética, não entre nações, mas entre as facções: aqueles que concordam com o que o Wikileaks está tentando fazer, e aqueles que se opõem." No Independent: "Nós podemos ser espectadores do início da grande cyber guerra - e eles acabaram de derrubar Francisco Ferdinando". Na Time: Por que a Wikileaks está ganhando esta info guerra. John Perry Barlow, ex-letrista da banda Grateful Dead e fundador da Electronic Frontier Foundation, organização que defende os direitos digitais, escreveu em seu Twitter: "A primeira infoguerra importante começou agora. O campo de batalha é o Wikileaks. Vocês são as tropas".
Quem está mais falando em guerra é quem teme as consequências de uma vitória daqueles que se opõem ao Wikileaks. "Se o governo conseguir aprisionar Assange, ou impedir o Wikileaks de operar, isso será um grande golpe nos eforços para trazer responsabilidade e controle para os maiores centro de poder do mundo", afirma Greenwald. "Isso também vai intimidar outros que possam pensar em usar a internet para tentar desafiar a autoridade e o sigilo de governos." O pior efeito possível seria uma internet totalmente controlada. E apesar dos EUA defenderem a internet livre em países autoritários, como a China e o Irã ["redes de informação estão ajudando pessoas a descobrir novos fatos e fazer governos mais responsáveis", afirmou Hillary Clinton, em janeiro de 2010, criticando a censura na internet], existe no país um projeto de lei para dar ao presidente o poder de "desligar" a internet.
Essa pode ser a única forma de impedir totalmente que informações confidenciais vazadas circulem na internet. John Naughton escreveu no Guardian "nossos governantes têm que fazer uma escolha: ou eles aprendem a viver em um mundo com Wikileaks, com tudo o que implica em termos de seu comportamento futuro, ou eles desligam a internet". O jornalista irlandês nota que a Wikileaks não depende apenas da web. Cópias dos telegramas secretos estão sendo distribuídas através da tecnologia peer-to-peer, a mesma usada para compartilhamento - legal e ilegal - de músicas e filmes. E há o surgimento de novos sites com propostas similares à do Wikileaks: Daniel Domscheit-Berg, que deixou a organização em setembro depois de desentendimentos com Assange, vai lançar a rival Openleaks. Já há uma organização que promete informações sobre a Europa e uma sobre a Rússia.
Greenwald acredita que "a internet é poderosa demais para ser controlada pelo poder central, e a vontade dos cidadãos ao redor do mundo para resistir a esse tipo de autoritarismo está crescendo e foi encorajada pelo heroísmo do Wikileaks". No dia 2 de dezembro, o filósofo italiano Umberto Eco já havia afirmado que o Wikileaks altera a relação de controle entre o poder e o cidadão. "Quando se demonstra, como acontece agora, que mesmo as criptas dos segredos do poder não escapam ao controle de um pirata informático, a relação de controle deixa de ser unidirecional e torna-se circular. O poder controla cada cidadão, mas cada cidadão, ou pelo menos um pirata informático - qual vingador do cidadão -, pode aceder a todos os segredos do poder", escreveu.
Evgeny Morozov, pesquisador bielorusso, autor do livro The Net Delusion: The Dark Side of Internet Freedom, que será lançado em 2011, não acredita que haja uma guerra. "Acho que 'info guerra' é apenas um rótulo ruim", disse Morozov em entrevista a ÉPOCA. "Eu não compro o cenário de info guerra - até porque eu realmente não vejo o governo dos EUA lutando contra nada até agora." Mas Morozov não diminui a importância da discussão iniciada nos últimos dias. "O Wikileaks pode se transformar em um movimento político global abrangendo várias questões diferentes da internet, da reforma do copyright até governos abertos. Esse movimento pode ser destrutivo e violento, ou pode ser contrutivo e benévolo; tudo depende da forma como o governo dos EUA escolhe reagir ao WikiLeaks", disse. Um possibilidade seria o Wikileaks se aproximar dos Partidos Piratas - o sueco já apoia a organização - e seguir o caminho traçado pelos Partidos Verdes europeus no século 20.
A Economist também não exerga uma guerra. Em um texto sobre o Anonymous, o repórter escreve que eles "entendem suas limitações". "Aqueles com quem eu falei sabem que derrubar o site de um promotor sueco não impede o processo na Suécia. Eles descreveram suas motivações, variavelmente, como uma tentativa de 'sensibilizar', 'para mostrar ao procurador que temos a capacidade de agir' e 'danos e atenção'", afirma. "Isso é tudo que um ataque de negação de serviço pode fazer: registrar um protesto. Não é uma ciberguerra. É um golpe de propaganda. E é limitada a um conjunto limitado de sites: vulneráveis, mas importantes."
Morozov afirma que ataques DDoS podem ser entendidos como desobediência civil. "Eu não acho que esses ataques sejam, necessariamente, ilegais ou imorais. Enquanto eles não invadam os computadores de outras pessoas, lançar ataques DDoS não deve ser tratado como um crime por padrão. Temos que pensar sobre as circunstâncias específicas em que cada ataque foi lançado e os seus alvos", escreveu Morozov em seu blog na Foreign Policy. "Eu gosto de pensar em DDoS como equivalentes de sit-ins [forma de protestos em que pessoas ocupam uma área de forma não-violenta]: ambos visam a interromper brevemente um serviço ou uma instituição a fim de mostrar um propósito. Enquanto nós não criminalizamos todos os sit-ins, eu não acho que devemos criminalizar todos os DDoS."
Lilian Edwards, professora de direito da internet na Universidade de Sheffield, por outro lado, escreveu no Guardian que "esta luta é realmente entre o governo dos EUA e o Wikileaks, não entre os intermediários [Amazon, Paypal, etc.] e o Resto do Mundo." "Em um universo ideal, isso seria resolvido por um processo aberto e transparente contra o Wikileaks, onde um tribunal poderia decidir se as leis foram ou não quebradas", escreveu Edwards. "As pessoas atualmente atacando anonimamente a Mastercard e o PayPal fariam melhor em perseguir seus deputados (ou representantes similares) para levá-los a perguntar em público o que diabos está acontecendo."
No fim, a discussão é muito maior do que a existência ou não de informações importantes nos documentos vazados pelo Wikileaks (pouco mais de mil dos 250 mil estão disponíveis no site até agora). O Wikileaks é só um site. Julian Assange é só um cara. Marshall McLuhan afirmou em 1968 que a "Terceira Guerra Mundial será uma guerra de guerrilhas da informação, sem divisão entre a participação de militares e civis". É bem possível que seja, mas talvez não agora. É aqui que deve iniciar uma discussão séria sobre o futuro da internet e da transparência. Quanta liberdade, o que regulamentar, como serão os modelos de sigilo governamental, isso tudo é o que ainda precisa ser discutido.
"Acredito que vamos olhar para esse episódio como um dos eventos políticos mais importante da última década, pelo menos", disse Glenn Greenwald, advogado americano e colunista da revista online Salon, em entrevista a ÉPOCA. Greenwald acredita que estamos vivendo o início de uma "guerra pelo controle da internet". "A reação do governo dos EUA e das empresas privadas para as divulgações do Wikileaks se assemelha de muitas maneiras a uma guerra", afirma. De acordo com Greenwald, o governo dos EUA está ameaçando processar o Wikileaks "por fazer o que jornais fazem todos os dias: publicar segredos sobre o governo". Greenwald afirma ainda que o governo "tem ameaçado e intimidado empresas privadas para não fazerem negócios com WikiLeaks". Das companhias que pararam de trabalhar com o Wikileaks, apenas o PayPal admitiu ter sido pressionado pelo Departamento de Estado americano.
Greenwald não é o único a enxergar uma guerra nas movimentações dos últimos dias. A guerra na internet aparece também na InfoWorld: "É a primeira guerra cibernética, não entre nações, mas entre as facções: aqueles que concordam com o que o Wikileaks está tentando fazer, e aqueles que se opõem." No Independent: "Nós podemos ser espectadores do início da grande cyber guerra - e eles acabaram de derrubar Francisco Ferdinando". Na Time: Por que a Wikileaks está ganhando esta info guerra. John Perry Barlow, ex-letrista da banda Grateful Dead e fundador da Electronic Frontier Foundation, organização que defende os direitos digitais, escreveu em seu Twitter: "A primeira infoguerra importante começou agora. O campo de batalha é o Wikileaks. Vocês são as tropas".
Quem está mais falando em guerra é quem teme as consequências de uma vitória daqueles que se opõem ao Wikileaks. "Se o governo conseguir aprisionar Assange, ou impedir o Wikileaks de operar, isso será um grande golpe nos eforços para trazer responsabilidade e controle para os maiores centro de poder do mundo", afirma Greenwald. "Isso também vai intimidar outros que possam pensar em usar a internet para tentar desafiar a autoridade e o sigilo de governos." O pior efeito possível seria uma internet totalmente controlada. E apesar dos EUA defenderem a internet livre em países autoritários, como a China e o Irã ["redes de informação estão ajudando pessoas a descobrir novos fatos e fazer governos mais responsáveis", afirmou Hillary Clinton, em janeiro de 2010, criticando a censura na internet], existe no país um projeto de lei para dar ao presidente o poder de "desligar" a internet.
Essa pode ser a única forma de impedir totalmente que informações confidenciais vazadas circulem na internet. John Naughton escreveu no Guardian "nossos governantes têm que fazer uma escolha: ou eles aprendem a viver em um mundo com Wikileaks, com tudo o que implica em termos de seu comportamento futuro, ou eles desligam a internet". O jornalista irlandês nota que a Wikileaks não depende apenas da web. Cópias dos telegramas secretos estão sendo distribuídas através da tecnologia peer-to-peer, a mesma usada para compartilhamento - legal e ilegal - de músicas e filmes. E há o surgimento de novos sites com propostas similares à do Wikileaks: Daniel Domscheit-Berg, que deixou a organização em setembro depois de desentendimentos com Assange, vai lançar a rival Openleaks. Já há uma organização que promete informações sobre a Europa e uma sobre a Rússia.
Greenwald acredita que "a internet é poderosa demais para ser controlada pelo poder central, e a vontade dos cidadãos ao redor do mundo para resistir a esse tipo de autoritarismo está crescendo e foi encorajada pelo heroísmo do Wikileaks". No dia 2 de dezembro, o filósofo italiano Umberto Eco já havia afirmado que o Wikileaks altera a relação de controle entre o poder e o cidadão. "Quando se demonstra, como acontece agora, que mesmo as criptas dos segredos do poder não escapam ao controle de um pirata informático, a relação de controle deixa de ser unidirecional e torna-se circular. O poder controla cada cidadão, mas cada cidadão, ou pelo menos um pirata informático - qual vingador do cidadão -, pode aceder a todos os segredos do poder", escreveu.
Evgeny Morozov, pesquisador bielorusso, autor do livro The Net Delusion: The Dark Side of Internet Freedom, que será lançado em 2011, não acredita que haja uma guerra. "Acho que 'info guerra' é apenas um rótulo ruim", disse Morozov em entrevista a ÉPOCA. "Eu não compro o cenário de info guerra - até porque eu realmente não vejo o governo dos EUA lutando contra nada até agora." Mas Morozov não diminui a importância da discussão iniciada nos últimos dias. "O Wikileaks pode se transformar em um movimento político global abrangendo várias questões diferentes da internet, da reforma do copyright até governos abertos. Esse movimento pode ser destrutivo e violento, ou pode ser contrutivo e benévolo; tudo depende da forma como o governo dos EUA escolhe reagir ao WikiLeaks", disse. Um possibilidade seria o Wikileaks se aproximar dos Partidos Piratas - o sueco já apoia a organização - e seguir o caminho traçado pelos Partidos Verdes europeus no século 20.
A Economist também não exerga uma guerra. Em um texto sobre o Anonymous, o repórter escreve que eles "entendem suas limitações". "Aqueles com quem eu falei sabem que derrubar o site de um promotor sueco não impede o processo na Suécia. Eles descreveram suas motivações, variavelmente, como uma tentativa de 'sensibilizar', 'para mostrar ao procurador que temos a capacidade de agir' e 'danos e atenção'", afirma. "Isso é tudo que um ataque de negação de serviço pode fazer: registrar um protesto. Não é uma ciberguerra. É um golpe de propaganda. E é limitada a um conjunto limitado de sites: vulneráveis, mas importantes."
Morozov afirma que ataques DDoS podem ser entendidos como desobediência civil. "Eu não acho que esses ataques sejam, necessariamente, ilegais ou imorais. Enquanto eles não invadam os computadores de outras pessoas, lançar ataques DDoS não deve ser tratado como um crime por padrão. Temos que pensar sobre as circunstâncias específicas em que cada ataque foi lançado e os seus alvos", escreveu Morozov em seu blog na Foreign Policy. "Eu gosto de pensar em DDoS como equivalentes de sit-ins [forma de protestos em que pessoas ocupam uma área de forma não-violenta]: ambos visam a interromper brevemente um serviço ou uma instituição a fim de mostrar um propósito. Enquanto nós não criminalizamos todos os sit-ins, eu não acho que devemos criminalizar todos os DDoS."
Lilian Edwards, professora de direito da internet na Universidade de Sheffield, por outro lado, escreveu no Guardian que "esta luta é realmente entre o governo dos EUA e o Wikileaks, não entre os intermediários [Amazon, Paypal, etc.] e o Resto do Mundo." "Em um universo ideal, isso seria resolvido por um processo aberto e transparente contra o Wikileaks, onde um tribunal poderia decidir se as leis foram ou não quebradas", escreveu Edwards. "As pessoas atualmente atacando anonimamente a Mastercard e o PayPal fariam melhor em perseguir seus deputados (ou representantes similares) para levá-los a perguntar em público o que diabos está acontecendo."
No fim, a discussão é muito maior do que a existência ou não de informações importantes nos documentos vazados pelo Wikileaks (pouco mais de mil dos 250 mil estão disponíveis no site até agora). O Wikileaks é só um site. Julian Assange é só um cara. Marshall McLuhan afirmou em 1968 que a "Terceira Guerra Mundial será uma guerra de guerrilhas da informação, sem divisão entre a participação de militares e civis". É bem possível que seja, mas talvez não agora. É aqui que deve iniciar uma discussão séria sobre o futuro da internet e da transparência. Quanta liberdade, o que regulamentar, como serão os modelos de sigilo governamental, isso tudo é o que ainda precisa ser discutido.
Nenhum comentário:
Postar um comentário